A farmacêutica Pfizer anunciou esta segunda-feira ter desistido do plano de separar o grupo em duas empresas distintas, adiantando-se desta forma ao calendário que tinha anunciado. A norte-americana tinha comunicado no início de agosto que a decisão final só seria tomada após as eleições presidenciais daquele país, em novembro.
A ideia que esteve em estudo passava por separar a Pfizer em duas empresas, uma dedicada aos medicamentos ainda protegidos por patentes, e outra totalmente focada naqueles produtos mais antigos e reconhecidos “best sellers” da farmacêutica. Mas depois de investir 600 milhões de dólares – 534 milhões de euros, à cotação de segunda-feira – no estudo e passos iniciais para avançar com a divisão dos negócios, a Pfizer concluiu que a atual estrutura do grupo continua a ser mais adequada.
“A Pfizer decidiu que permanecer uma única companhia é a forma que melhor posiciona a empresa para maximizar a futura criação de valor”, refere a empresa em comunicado hoje divulgado no seu site, conclusão resultante de “uma avaliação exaustiva” e que se prolongou por vários anos sobre as opções possíveis de seguir.
“Com esta decisão, as duas unidades de negócio vão continuar a ser geridas separadamente dentro da Pfizer, já que acreditamos ser esta a melhor estrutura para continuar a cumprir os nossos compromissos perante pacientes, médicos, clientes e governos, e de criar valor para os nossos acionistas”, explica Ian Read, chairman e CEO do grupo.
“Acreditamos que ao operarmos cada ramo de forma separada e autónoma já conseguimos extrair muitos dos benefícios potenciais de uma separação – maior foco, aumento da transparência e maior sentido de urgência – ao mesmo tempo que retemos a força operacional e a flexibilidade financeira de um grande grupo unificado face ao que conseguiríamos operando duas empresas cotadas em bolsa individualmente”, acrescenta Reid no comunicado da Pfizer.
O comunicado da farmacêutica foi divulgado logo ao início desta segunda-feira nos Estados Unidos, com as ações do grupo a ressentirem-se do mesmo, já que negociavam a perder 1,5% ao longo do dia.
A decisão de cancelar a separação das atividades em duas empresas autónomas surge pouco depois da Pfizer ter anunciado mais uma aquisição, da Medivation, grupo especializado no cancro da próstata, por mais de 12 mil milhões de euros.