Pessoas que dormem mal correm maiores riscos de poder vir a desenvolver alzheimer

As pessoas que dormem mal e que não descansam o suficiente durante a noite correm maiores riscos de poder vir a desenvolver alzheimer futuramente. A garantia é dada por uma nova investigação internacional, que associa as insónias ao aumento da probabilidade de desenvolvimento de demência e de doenças neurodegenerativas. O estudo que corrobora esta tese foi realizado por um grupo de cientistas da Fundación Pasqual Maragall, em Espanha.

 

Os investigadores desta fundação sediada em Barcelona, um dos centros de pesquisa ibéricos que procuram a cura para o alzheimer, confirmaram que as pessoas que sofrem de insónias apresentam mudanças nas estruturas cerebrais que se assemelham às registas na fase inicial da doença. Não é a primeira vez que os cientistas fazem uma associação entre uma coisa e outra. Em 2018, um outro estudo científico também já tinha estabelecido a mesma correlação.

 

Divulgada pela revista especializada Alzheimer's Research & Therapy na passada terça-feira, dia 7, a investigação levada a cabo pelos cientistas da Fundación Pasqual Maragall apurou que os voluntários que descansavam menos durante a noite apresentavam uma redução de volume em várias regiões do cérebro, incluindo o córtex cingulado posterior. "Essas são áreas que participam nas redes que permitem o funcionamento da memória e do rendimento [intelectual dos humanos] e é precisamente nessas áreas que se acumulam os danos neurológicos [que se verificam] nas etapas iniciais do alzheimer. Podem estar já a ser afetadas ou podem também ter originalmente um menor volume", sublinha, todavia, Oriol Grau, o coordenador deste estudo ibérico.

 

Durante a investigação, os cientistas analisaram as estruturas cerebrais de um grupo de 1.683 voluntários sem sinais de demência nem de quaisquer doenças neurodegenerativas. Desses, apenas 615 sofriam de distúrbios do sono. "O perfil de mudanças que encontrámos poderá sugerir a existência de uma inflamação na origem das insónias. O que ainda não conseguimos apurar foi o papel dessa inflamação [no desenvolvimento da doença]", assume Oriol Grau.

 

20-01-2020